Relatos do Kratom: Nina Ajdin

Relatos do Kratom: Nina Ajdin

Clique aqui para ler a versão original em inglês

“Relatos do Kratom” é uma série de entrevistas do KratomScience.com com pessoas que usam kratom para ajudar a lidar com a dor, depressão, ansiedade ou dependência de drogas. Entre em contato conosco no Twitter @kratomscience ou pelo e-mail do Brian ([email protected]) se você gostaria de contar a sua história.

Este é mais do que apenas um relato do kratom.

Nina Ajdin nasceu na Bósnia durante as Guerras Iugoslavas, e quando criança sobreviveu à pobreza extrema, desnutrição, desidratação e à sua família ter sofrido disparos enquanto esperava em longas filas por necessidades básicas, como água. Depois que a guerra terminou, ela foi intimidada na escola por causa de sua etnia mista – espancada, empurrada escada abaixo e jogada em pilhas de escombros. Após um longo processo, a família de Nina recebeu o estatus de refugiada para ir para os Estados Unidos quando ela tinha 10 anos de idade. Nina então desenvolveu eczema, uma erupção cutânea crônica, para a qual lhe foi prescrito um esteroide tópico (sendo a cortisona a versão mais popular, de venda livre). Após anos de uso de esteroides tópicos, o estado de sua pele piorou. Os médicos continuaram receitando esteroides, mesmo com sua condição não estando melhorando. Por fim, Nina desenvolveu um vício físico nos esteroides. Quando ela deixou de usar o creme, teve uma reação horrível e rara conhecida como Retirada de Corticoides Tópicos (RCT). Não só a sua pele estava vermelha e descamada, ela também descreve dores torturantes de queimadura, convulsões com risco de morte, pedras nos rins e outras condições que a levaram ao hospital várias vezes por semana. 

Para mais informações sobre a história de Nina, leia este artigo, e este artigo, escritos pela Top Extracts, a empresa de kratom com quem ela trabalha atualmente.

Após cinco anos de RCT, a condição de Nina melhorou. Ela usa cremes e sabonete de kratom tópicos, e consome kratom para ajudar com o transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), depressão e ansiedade, contra os quais ela luta hoje. Como Nina aponta abaixo, o kratom está longe de ser uma “cura” para a sua RCT, mas, como ela diz, uma “ferramenta no meu kit de ferramentas”.

KratomScience: Você está perto de Chicago?

Nina Ajdin: Sim, nos subúrbios.

A sua história é tão incrível que é difícil saber por onde começar.

A minha história é tão complicada e às vezes as pessoas não a entendem. Sinceramente, já a escrevi tantas vezes que já estou cansada. Faço isso o tempo todo. Estou escrevendo o meu discurso hoje porque vou à audiência em Ohio. 

(A audiência da Junta de Farmácia de Ohio sobre uma proibição estadual do kratom é amanhã, sexta-feira, 9 de agosto de 2019, às 10:00 AM na West B&C, Vern Riffe Center for Government & The Arts 77 St, Columbus, OH 43215-KS).

Não me diga! Isso é fantástico!

Eu continuo escrevendo a minha história repetidamente e é tipo, de quantas maneiras diferentes eu posso escrevê-la?

Há quanto tempo você consome kratom?

Acho que vou completar cinco anos. Desde o final de 2014.

Eu li que você estava usando um creme de kratom para a sua RCT – está certo?

Sim, eu estava usando tópicos de kratom, mas as pessoas meio que distorceram. Como quando a minha história apareceu pela primeira vez – quando as pessoas viram o antes e depois das fotos, elas simplesmente deduziram que foi só o kratom que me curou perfeitamente, o que não foi o caso. Elas deduziram que “ah, esse creme de kratom a curou.” Mas eu realmente uso tópicos como sabonetes e loções e coisas do tipo. É muito bom para a sua pele.

Sério? Nunca ouvimos falar de tópicos de kratom, isso é interessante.

Sim, muita gente não sabe. Isso é algo que deveria ser tocado com mais frequência. Eu também uso internamente. Mas parece tão idiota quando pensamos no governo tentando banir o kratom. Então vou ser uma criminosa por uma barra de sabonete? Quando você coloca as coisas dessa maneira, parece ainda mais estúpido que um chá ou um suplemento – um criminoso por uma barra de sabonete.

Então você vai à audiência em Ohio. Pelo que li sobre você, presumo que esteja fortemente envolvida no ativismo do kratom.

Tenho defendido bastante desde que comecei a usá-lo, mas mais fortemente nos últimos dois anos. No ano passado, fiz o comício de Washington DC e outras coisas em Naperville, Illinois… Saiu hoje uma notícia da Associação Americana de Kratom (AKA) de que as coisas parecem não estar muito bem em Ohio.

Não tenho muita esperança de que Ohio seja honesto. Parece que nos lugares onde a crise dos opioides foi pior, como Ohio e Appalachia, o dinheiro farmacêutico ainda está lá, de certa forma… Através das campanhas eleitorais e das suas próprias campanhas de censura.

Eles definitivamente têm sido obscuros, com certeza. Supostamente, há 100 pessoas vindo a essa audiência. Por isso, espero que possamos mostrar a eles alguns números. Eu não estava planejando ir, para ser honesta, mas então meu último artigo saiu há duas semanas sobre a minha história, e alguém disse “nós poderíamos realmente usar essa história em Ohio”, e eu fiquei tipo, é uma viagem de 6 horas para mim, então não é tão ruim.

Com aquele artigo eu aprendi sobre o seu contexto. Você é originalmente da Bósnia…

Ele entrou em mais detalhes sobre a minha infância. Nunca compartilhei a maioria dessas coisas antes. Eu nunca sei o que é interessante para as pessoas ou o que elas querem ouvir, ou o que compartilhar e o que não compartilhar. Todo o pessoal ao meu redor já sabe da minha história RCT, por isso pensei que talvez devesse me focar em outra coisa – dar destaque ao uso (do kratom) para o TEPT, e saúde mental.

É interessante, definitivamente. Conheço algumas pessoas com histórias interessantes e digo a elas que deveriam escrever um livro. Você poderia escrever dois livros sobre a sua vida, pelo menos.

Eu poderia escrever volumes.

Então você tinha uns 10 anos quando veio para os EUA?

Sim, eu tinha 10 anos quando nos mudámos para cá.

Eu gostaria de saber nas suas próprias palavras o que é a retirada de esteróides tópicos.

É uma doença iatrogênica, o que significa que é causada inadvertidamente por uma medicação. Então, na verdade, é causada pelo uso de esteróides tópicos como a hidrocortisona, que se pode comprar no balcão da farmácia. 

Não é como a sua típica retirada de medicamentos, onde demora alguns dias para tirar do seu sistema e depois acabou. É muito mais complexo. Leva anos para que o corpo regenere toda a sua pele. O seu corpo basicamente fica viciado nos cremes, depois quando você deixa de usá-los, o seu corpo fica enlouquecidamente furioso, e fica vermelho, como você já viu nas minhas fotografias. E tudo isso é uma porcaria.

E você disse que estava em dor constante, e tomando banhos frios durante várias horas por dia. Então o kratom ajudou especificamente com a dor, ou ajudou com a ansiedade e depressão que acompanham a doença?

Não sei porquê, mas sempre reagi aos medicamentos e às ervas de forma diferente da maioria das pessoas. O kratom nunca ajudou com a minha dor. Não sei se isso se deve à minha química corporal ou ao tipo de dor, que era muito relacionada ao nervoso… Eu estava sempre queimando e coçando. Nunca ajudou a minha dor, apenas levantou um pouco o meu humor, e me deu esperança e autoridade para processar tudo o que acontencia, e lidar melhor com isso. Foi uma época tão sombria que era difícil até mesmo manter a mente funcionando. Você só quer morrer. Você realmente não quer viver estando naquele ponto. Todas as noites você vai dormir quase rezando para não acordar de manhã. E você acorda, e fica bravo por ter acordado. Então, o kratom não tirou isso completamente, mas ajudou com a parte da depressão e ansiedade.

Em muitas histórias da imprensa, dizem: “as pessoas estão promovendo o kratom como uma cura para tudo”. Mas nós realmente não estamos. Você está dizendo que ajuda um pouco. Obviamente não diria que é uma cura para tudo.

Não, absolutamente não. Há obviamente níveis diferentes de como isso ajuda pessoas com condições diferentes e tal, mas eu não acho que já tenha “curado” alguém do que eles têm; apenas ajuda a passar por isso. Eu ainda tenho de implementar a terapia. Ainda tenho de ir ao médico. Eu também estou fazendo medicina oriental. Estou sendo tratada com a medicina tradicional chinesa. Para mim, eu sempre digo que (o kratom) é uma ferramenta no meu kit de ferramentas. Estou usando todas essas coisas em conjunto. Não é que eu possa atribuir a minha melhoria apenas ao kratom, porque isso não é verdade. É apenas uma ajuda no caminho. Eu sei que muitas pessoas disseram “salvou a minha vida”. Eu nem sequer iria tão longe para dizer isso. Porque (o kratom) é tão sútil. É como se você tomasse, não sei, vitamina B12, e começasse a ter um pouco mais de energia.

“Foi uma época tão sombria que era difícil até mesmo manter a mente funcionando. Você só quer morrer. Você realmente não quer viver estando naquele ponto. Todas as noites você vai dormir quase rezando para não acordar de manhã. E você acorda, e fica bravo por ter acordado.”

Já falei com muitas pessoas que têm TEPT, e depressão, e ansiedade, e isso só lhes dá um pequeno impulso para saírem de casa e levarem uma vida normal. A conversa sobre “droga milagrosa” parece ser uma manobra de distração para as pessoas que querem proibi-la. 

Especialmente o governo pensando “é uma droga, está curando todas essas pessoas, e elas não deveriam ser ‘auto-medicantes'”. E eu não vejo as coisas dessa maneira. Você não vai ao médico e tem de conseguir uma receita para erva de São João ou bálsamo de limão. Tecnicamente você não está se “auto-medicando” – você pode dizer isso sobre todas as ervas então se você diz isso sobre o kratom. É um pouco ridículo. Há muita gente que não entende porque temos que usar os termos que usamos, e ser honestos que não é uma cura; por causa da corrupção do governo não podemos ser completamente honestos às vezes.

E, às vezes, é a medicina convencional que causa os problemas. No caso de pessoas com câncer, você se pergunta se foi a quimioterapia que as matou. Não sendo contra a medicina convencional – qualquer pessoa com uma doença grave deve ir ao médico. Mas no seu caso, isso causou mais problemas do que a razão pela qual você entrou, para dizer o mínimo.

Eu tenho um dos casos mais graves que já foram registrados, ou que eu já vi pessoalmente de RCT. Foi muito ruim. Não foi só a minha pele que foi afetada. Após dez anos de uso, eu estava perdendo meu cabelo, estava tendo convulsões com risco de morte, e vivia no hospital por causa de pedras nos rins e sei lá qual problema. Estava literalmente no hospital dia sim, dia não. Eu tinha perdido o meu emprego porque estava tendo convulsões no trabalho, e eles simplesmente não podiam mais me manter. As pessoas diziam sempre tipo – ah, é só pele, não é nada de mais – mas na verdade esse é o maior órgão. Por isso, é muito importante. As pessoas diziam tipo, ah é apenas uma erupção cutânea, não importa. Não é mesmo.

A RCT ainda é uma coisa pela qual você passa? Ainda tem erupções cutâneas?

Sim. Já não é tão grave como eu estava acostumada; obviamente você pode dizê-lo pelas fotos. Mas tenho tido erupções durante o último ano e meio seguido, mas suaves. Ainda é RCT porque ainda tem um vermelho ardente. Mas eu comecei com a medicina tradicional chinesa em janeiro deste ano. E é ela que está chegando ao cerne da questão. Então ainda lido com as crises. Eu não estou 100% curada. E já se passaram mais de cinco anos, e isso é muito tempo. Normalmente, a essa altura, a maioria das pessoas estaria curada, mas eu infelizmente tenho um dos casos mais loucos e complicados. Então ainda lido com ele. A minha cara ainda está um pouco cor de rosa e as minhas mãos estão ferradas. Eu tenho de usar luvas. Mas eu posso fazer coisas.

Na segunda-feira, oficialmente, estou finalmente começando a trabalhar em tempo integral novamente, e isso é algo muito importante para mim. Tenho trabalhado em casa durante um ano e meio, mas vou para um trabalho em tempo integral no escritório na segunda-feira. Por isso, hoje tenho de ir comprar um carro, porque não tenho um carro há uns seis anos. E estou me preparando para essa viagem (para Ohio). Para mim, é muito importante. Estou literalmente na cama há cinco anos. Isolada, sozinha. Ao ponto de ter medo de me curar porque me habituei a estar isolada. Tive medo de sair. E ainda tenho. Tenho medo de sair em público e de estar perto das pessoas. Eu costumava ser muito extrovertida e muito social. 

E isso foi por causa de como as pessoas reagiam à sua condição de pele?

Sim. Eu já tinha TEPT antes disso por causa da minha infância. Fui diagnosticada aos 15 anos com TEPT. Depois de passar pela RCT que criou ainda mais TEPT, que eles classificaram como “TEPT complexo”. É basicamente como se o seu TEPT fosse pior que o da maioria das pessoas, então vamos apenas dizer que é “complexo”, mas não sabemos realmente o que isso significa.

Esta é apenas uma pergunta à parte. Eu tenho uma amiga com diabetes e ela recebe sempre conselhos muito estúpidos. Você já recebeu conselhos estúpidos?

Ah, meu Deus. É a única coisa com a qual tenho zero de paciência. Sou uma pessoa muito simpática e não me irrito facilmente, não mesmo. Mas meu Deus, as coisas que eu ouvi. Porque tenho sido tão pública e falado sobre a minha trajetória, tenho pessoas que dizem: “você já experimentou óleo de coco?” 

*Risos*

“Já tentou usar loção?” Tipo, não, nunca pensei nisso. É engraçado, mas é quase uma ofensa.

É definitivamente ofensivo.

“Você precisa beber coisas aglutinantes como algas e fazer enemas de café” e isso e aquilo. As pessoas não entendem isso. E quando as pessoas não entendem algo, querem fingir que entendem, ou simplesmente se fecham.

Acho que algumas pessoas estão mesmo tentando ajudar, mas são apenas ignorantes.

Se você simplesmente pesquisasse no Google “abstinência tópica de esteróides” veria que é diferente do eczema e da psoríase e dessas outras condições cutâneas. Vai lá, pelo menos pesquise no Google antes de me dar conselhos. É a única coisa em que não posso ser simpática. Cada vez que eu posto sobre isso, eu ponho tipo, por favor, não me dê conselhos não solicitados, e aí alguém ainda sempre faz isso. Tenho lidado com problemas de pele desde os meus dez anos. A RCT é nova, mas tenho lidado com isso praticamente toda a minha vida. Eu literalmente tentei todo o tipo de coisas malucas que as pessoas nem sequer imaginariam, porque eu estive muito desesperada. Com a RCT, é o tempo que geralmente cura, o que é algo que as pessoas não conseguem entender, porque pensam que tem que haver algo que ajude. E eles só querem se meter – eu sei que é por boas intenções, mas, ah Deus, isso me deixa louca.

“Você tinha literalmente que ficar na fila, enquanto levava tiros, para conseguir água.”

Esta pode ser uma pergunta ignorante, mas você acha que foi exposta a alguma coisa na Bósnia que possa ter feito a sua pele reagir dessa maneira, como uma arma química? 

É muito possível. Não é só isso, mas há pessoas com RCT que obviamente não estavam no mesmo país e na mesma situação em que eu estava. Por isso, não fazemos ideia porque é que algumas pessoas pegam isso e outras não, porque não temos pesquisa. Mas eu acho que o problema original do eczema, que foi o porquê de me receitaram os esteróides em primeiro lugar, quando eu tinha quatro anos de idade e estava muito desnutrida. Eu me parecia literalmente com as crianças que você veria na Etiópia, com barriga, pele e ossos. Os meus tornozelos estavam inchados e eu não conseguia andar por causa da retenção de água. Pesava cerca de 4 kg quando tinha 4 anos. Naquele momento, passei meses no hospital. É preciso ter em mente que se trata obviamente de um país do terceiro mundo e que havia uma guerra em curso, por isso os hospitais não eram muito higiênicos. 

Water line in Sarajevo, 1992. By Photo: Mikhail Evstafiev – Mikhail Evstafiev, CC BY-SA 3.0, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=343724

E você mal podia conseguir água na época também, certo?

Certo. Você tinha literalmente que ficar na fila, enquanto levava tiros, para conseguir água. Então você pode imaginar como era um hospital.

Tenho algumas memórias lá, mas sei que me fizeram transfusões de sangue e plasma durante o tempo que não eram reguladas. Provavelmente ninguém sabia de onde vinha. Por isso sempre pensei que poderia ter sido impactada pelo DNA e pela química do meu corpo porque estava recebendo o DNA de outra pessoa, e não era regulado. Então eles não testaram o sangue e o plasma e todas essas coisas que eles fazem nos dias de hoje. Foi feito, e só. Eu sempre pensei nisso como o que provavelmente enfraqueceu o meu corpo de alguma forma, talvez eu tenha sido exposta a algo. Eu realmente não sei. Mas sei que de toda a minha família, ninguém teve problemas de saúde tão graves como eu. 

Por isso acho que a minha infância teve um papel decisivo. E foi justamente quando me mudei para os Estados Unidos que tive eczema em primeiro lugar. O que estava provavelmente relacionado com o estresse de me mudar para outro país, um acontecimento bastante importante.

A guerra acabou quando eu tinha cinco anos. Nos quatro ou cinco anos depois que vivemos lá, os meus pais estavam trabalhando, mas não recebiam. Estávamos sendo despejados. Ainda não tínhamos muita comida. Éramos super pobres, mal nos alimentávamos. Eu estava sofrendo bullying na escola, na primeira, segunda, terceira série, ali. E, literalmente, sendo empurrada em pilhas de pedras, empurrada pelas escadas abaixo. 

Isso foi por causa de questões étnicas?

Sim. A guerra foi tipo entre muçulmanos e católicos ortodoxos. Já que a minha família é mista, de diferentes origens religiosas, eu era basicamente um alvo só por causa disso. Essa foi uma das principais razões pelas quais eles até nos permitiram vir para os Estados Unidos, porque eles consideravam isso como uma ameaça à minha vida, e eu era apenas uma criança. 

Tivemos que ir a uma entrevista para realmente podermos vir aos Estados Unidos; obviamente fizemos isso legalmente. Eu estava sendo empurrada pelas escadas abaixo, sendo atingida na cabeça, terminando no hospital com pontos, e todas essas coisas. Então eles consideraram isso como urgente. Foi por isso que fomos classificados como refugiados apesar da guerra ter terminado, e isso nos empurrou para a frente da lista para nos mudarmos para cá.

Você disse que agora está com a medicina chinesa. Pode explicar o que é isso? Eu não sei nada sobre a medicina chinesa.

Estou trabalhando com essa mulher em Chicago, e ela é uma das 129 especialistas em dermatologia TCM (Dermatologia Chinesa) em todo o mundo. Fui acolhida por ela em janeiro e, basicamente, só bebo ervas. Eu tomo um monte de ervas.

Que tipo de ervas?

Um monte de coisas diferentes. Está em chinês, por isso tenho de traduzir para ver o que é. Você pega esse pequeno pacote de ervas destiladas, extraídas em um líquido, e você só bebe duas vezes por dia. Mas isso tem me ajudado muito e me levou a voltar ao trabalho em tempo integral.

Me pergunto se essas coisas são placebos, mas na verdade não se pode menosprezar placebos. Porque às vezes eles ajudam, na verdade… 

Sim, de fato. E também nos últimos dois meses, eu estava trabalhando com esse casal que são coaches de vida, e eles treinam com a sua mente subconsciente para tentar curar o corpo. E isso é muito “medicina alternativa”. Isso obviamente não é “estilo ocidental”. Isso também ajuda. Foi basicamente trabalhar com eles para deixar de lado todas as emoções negativas associadas a todo o trauma que eu tive na minha vida. E dar espaço para que coisas novas acontecessem. E isso ajudou mais do que qualquer outra coisa, para ser honesta, porque isso deu poder à minha própria mente para querer curar e querer lutar pela minha vida. Que é basicamente como os placebos funcionam – a mente é uma coisa poderosa.

“A gratidão muda totalmente a perspectiva da sua mente, quando você está grato. Atrai mais das coisas boas… Quando estava passando pelo pior, tinha a minha mente controlada. De manhã, quando acordo, digo pelo menos três coisas pelas quais sou grata, mesmo que fosse tipo mexer um dedo, ser capaz de mexer um dedo.”

Definitivamente. Há uma percepção de que o kratom apenas deixa as pessoas drogadas e é usado para recreação e pelos mais jovens para se divertir com o que seja. Essa não é a realidade, pelo menos pelos comentários que recebemos no nosso site. A maioria de nós tem acesso às drogas que nos deixam drogados. O kratom não é uma droga para se divertir.

Eu já nem sequer uso diariamente. Só uso algumas vezes por semana, quando preciso desse pouco mais. Um pouco de impulso quando você precisa se mexer. É simplesmente ridículo como o governo está reagindo. Eles fazem parecer que é uma coisa apelativa – eu realmente não estaria bebendo esse pó nojento só por diversão. Eu realmente não beberia.

Eu também entendo essa posição com crianças, e concordo que deveria ser para pessoas acima de 18 anos, ou acima de 21.

Claro.

Mas também, ao mesmo tempo, que criança vai querer beber um monte de pó?

Já vi muitos dos seus vídeos no YouTube. E falavam muito de gratidão. Você tem sofrido com todas essas coisas, e ainda pode estar agradecida; isso requer muita força. Eu te respeito por isso, e queria te dizer

A gratidão muda totalmente a perspectiva da sua mente, quando você está grato. Atrai mais das coisas boas… Quando estava passando pelo pior, tinha a minha mente controlada. De manhã, quando acordo, digo pelo menos três coisas pelas quais sou grata, mesmo que fosse tipo mexer um dedo, ser capaz de mexer um dedo. Mesmo tão pequeno quanto isso. E isso pode realmente te ajudar a se curar, ajudar a sua mente. 

O maior curador de tudo é a nossa mente. Eu realmente acredito nisso.

Eu também acredito nisso. Muito obrigado por falar conosco.

Claro, obrigada. 

Sei que você tem de estar com disposição para falar sobre essas coisas sérias e pesadas.

Tento trazer um pouco de leveza, mas se torna pesado. Especialmente quando eu estava fazendo o artigo sobre a minha infância. É como falar sobre genocídio em massa e todas essas coisas horríveis que você já viu, coisas que nenhum ser humano, muito menos uma criança, deveria ter que ver. Fica pesado, mas não é necessariamente esse o ponto que quero transmitir – é mais, por mais pesado que fique, pode ser melhor. E há sempre uma luz em algum lugar por aí. Mesmo que você demore 20 anos para encontrá-la. Está lá. 

Siga a Nina Ajdin no Twitter @Neenahh1

Deixe uma resposta

Deixe uma resposta