Relatos do Kratom: Amy Wike

Relatos do Kratom: Amy Wike

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“Relatos do Kratom” é uma série de entrevistas do KratomScience.com com pessoas que usam kratom para ajudar a lidar com a dor, depressão, ansiedade ou dependência de drogas. Entre em contato conosco no Twitter @kratomscience ou pelo e-mail do Brian ([email protected]) se você gostaria de contar a sua história.

Amy Wike é mãe de dois filhos, do Kansas. Ela pode ser encontrada como @MonnieLV2019 no Twitter. Amy sofre de dor crônica devido ao estresse severo em suas costas por trabalhar por vários anos em uma fábrica de processamento de carne bovina. Depois de ter os medicamentos convencionais a base de opióides para as dores cortados por seus médicos, ela descobriu o kratom.

Amy dedica seu espaço nas redes sociais para o #3E: #Educate (eduque) #Enlighten (ilumine) #Encourage (encoraje). Ela quer que as pessoas entendam as questões que pacientes com dor crônica (#CPP, em inglês) têm que lidar na tentativa de receber cuidados médicos adequados.

KratomScience: Obrigado por tirar um tempo para fazer essa entrevista.

Amy Wike: Obrigada por perguntar.

KS: Você pode descrever a situação em que você está que te levou a experimentar o kratom?

AW: Sim. Comecei a tomar kratom em 2017. Mas a minha dor crônica começou em 2005. Eu trabalhei para uma fábrica de carne aqui na cidade por cerca de sete anos, e comecei a desenvolver problemas graves nas costas. Eu sou uma pessoa muito baixa, de estatura muito pequena, por isso usar equipamento pesado e arremessar pedaços de carne realmente era algo que eu não deveria ter feito. Estava trabalhando mais do que deveria. Depois de alguns anos, comecei a dizer à empresa que precisava ir ao médico, contei a eles o que estava acontecendo. Basicamente, no final das contas, eu estava vendo cerca de uma dúzia de médicos através da empresa. Nenhum deles fazia ideia do que estava acontecendo. Fizeram raios X, fizeram ressonâncias magnéticas, fizeram praticamente todo tipo de testes que você possa imaginar e ninguém tinha uma resposta para mim.

Então, em 2006, foi quando eu acabei parando de trabalhar lá porque a dor ficou muito ruim. Eles me disseram “não há nada que possamos fazer por você. Então vamos fazer um acordo com você, te mandar embora, e esperar pelo melhor.” Era basicamente a maneira deles lavarem as mãos de tudo o que estava acontecendo comigo.

KS: Então os problemas continuaram depois disso?

AW: Ah sim, sim. Eles continuaram e ficaram muito piores. E continuam até hoje.

KS: Então isso te levou a tomar medicamentos para as dores?

AW: Exato.

É hora de começar um incêndio na internet. #3Es #Educate #Enlighten #Encourage #KratomSavesLives #kratom #kratomsavedme
Mais uma vez, o meu nome é Amy Wike e eu sou uma #CPP (paciente com dor crônica). Eu tenho lidado com dores crônicas desde 2005. Eu fui rechaçada pelos doutores, fui chamada de viciada e drogada.

— 🌱 Monnie L.V.🌱 (@MonnieLV201929 de setembro de 2019

KS: Você teve algum problema em ter acesso a analgésicos? Tivemos um período em que os médicos receitavam mais remédios do que deveriam. Como resposta à crise dos opióides, agora estão receitando menos do que o necessário, então as pessoas que realmente precisam de analgésicos não os conseguem.

AW: Ficou meio incerto desde mais ou menos 2013 até quando eu fui suspensa. Eles reavaliaram todo mundo que tomava. Então sempre que você ia ao médico, ficava lá durante uma hora. Você tinha uma consulta com a empresa de Nova York ou Kansas City, ou algum lugar assim, para reavaliar porquê você estava tomando aquele medicamento. E eles perguntavam: “qual é o problema? Piorou? Você está tomando mais medicação? Você tentou parar a medicação e tentar outra coisa?”

Era bastante simples. Tudo o que os médicos me davam, medicinal, terapêutico ou o que fosse, eu tentava. Então não era tipo “me dá os comprimidos. Preciso deles agora ou vou morrer”. Eu passei por terapia física. Eu fiz caminhada – andei mais de 3 km por dia por pouco mais de um ano para fazer a dor parar. Então um dia a minha médica me trocou, e disse: “eu vou te dar isso (medicação para dor), mas eu vou para um cargo diferente, então você vai para um médico diferente.” E, no primeiro dia, ele (o novo médico) disse que ia fazer um teste para detecção de drogas pela urina em mim. E eu disse a ele que sem problemas, só um (analgésico) vai aparecer (positivo). Ele disse “bem, o que quer que aconteça, vamos lidar com isso”. Uma semana depois, me contaram que eu ia ser desmamada.

KS: Eles iam te dar Suboxone ou algo assim?

AW: Olha só, esse é o ponto, eu nunca tinha ouvido falar disso até este ano passado. Eu estava tomando metadona no momento, não me lembro quantos miligramas, e hidrocodona. Eles tinham me tirado da bomba de morfina e do Percocet, dois bastante fortes, para colocar aqueles dois. O único daqueles que realmente fez alguma coisa por mim foi a hidrocodona. A metadona não mexeu na minha dor.

KS: Então quando você descobriu o kratom?

AW: Novembro de 2017.

KS: Você o usa no lugar dos analgésicos?

AW: Sim.

KS: O kratom funciona tão bem quanto analgésicos para você?

AW: Na minha opinião, funciona muito melhor. Para mim, na medicação para as dores, me sentia drogada 90% das vezes. Mesmo quando estava tomando menos do que me foi prescrito. Você toma, e seu corpo parece estar debaixo de um peso enorme.

A primeira vez que tomei kratom, tomei cerca de 3 ou 4 gramas em um copo de chá. Uma hora depois, eu estava andando por aí. Eu não me senti dopada. Foi alívio da dor direto, e eu fiquei tipo “Caramba!! Esta coisa funciona bem.Eu fiquei completamente boquiaberta. Não estava esperando que funcionasse.

KS: Então desde então você só tem tomado kratom, e não precisa de mais nada?

AW: Sim. Eu larguei os analgésicos por completo. Eu estava sendo desmamada naquele momento. Eu chego a usar algumas outras ervas – maconha não, mas tem algumas outras ervas que eu tomo para o humor, energia, e para dar um reforço para ajudar o kratom durar um pouco mais.

KS: Quais são essas ervas?

AW: Tem ashwagandha, castanheiro da Índia, coriolus… O açafrão é um potenciador do kratom. Há toda uma lista de coisas que você pode dar uma olhada online. Um monte de comunidades no Facebook e Twitter fala sobre elas.

KS: Você tem preferência por alguma variedade do kratom?

AW: É um pouco difícil responder. Passei por vários fornecedores diferentes nos últimos dois anos. Um vendedor vai ter Red Indo (indo vermelho) e vai ter outro fornecedor que vai ter o mesmo Red Indo, mas eles são de cores completamente diferentes, efeitos diferentes. Então eu acho que realmente depende de como foi processado, como foi a secagem, e o tempo que foi deixado para chegar a esse estado.

Algumas pessoas podem tomar uma variedade branca e sentir muita energia e fazer suas coisas. Uma branca me faz dormir em poucos minutos.

“Eles não se importam com quem está cometendo suicídio e porquê. Eles só querem tirar os comprimidos das mãos das pessoas para poder mostrar que estão pressionando. Eu adoraria conhecer alguém dentro da FDA ou do CDC que tenha alguém na família ou entes queridos que por acaso sofra de dor crônica.”

KS: Você já teve algum efeito colateral com o kratom?

AW: Sim, tive uma leve constipação. Tive desidratação porque não levei a sério a parte do “beba água” durante o primeiro mês mais ou menos. Eu paguei caro por isso. As enxaquecas não são divertidas. Eu já tive que lidar com elas antes. Para mim não é assim tão ruim. As minhas doses não são tão altas que, se ficar sem, o meu corpo entra em choque. Não é assim que as coisas são para mim. A minha dor volta, e percebi que é por isso que tomo. A minha dor ainda está lá e o kratom faz o que realmente se supõe que tem que fazer. Então tenho que fazer pausas de dois em dois meses, mas no que diz respeito à abstinência ou algo do gênero, honestamente não é assim tão severo em comparação com os medicamentos para a dor.

KS: Quando você teve que deixar os analgésicos, passou por efeitos rebote ruins?

AW: Sim, foi horrível. A melhor maneira de descrever isso é, imagine a pior ressaca que você já teve. Imagine correr na rodovia a 80 km por hora, saltar de um carro e simplesmente cair na estrada. É assim que o seu corpo dói ao largar qualquer tipo de opiáceo. É muito ruim sair disso.

KS: Você está envolvida no ativismo do kratom? Tem algo acontecendo no Kansas com as leis do kratom?

AW: Que eu saiba, bata na madeira, parece estar bem quieto agora. Sheri Locascio mora a cerca de 65 km de mim, ao norte. Ela é realmente uma grande ativista. Ela vai para as reuniões. Ela estava em Ohio. Ela é realmente fantástica nisso. Eu sou melhor fazendo as coisas do teclado, e falando assim. Gostaria de poder ir a coisas assim e ser ativa nisso.

KS: Bom, é bom que não haja nada acontecendo até agora no Kansas.

AW: Estou rezando, e se surgir alguma coisa, vou estar lá para mostrar a cara e falar com as pessoas sobre isso. Providenciar a educação que precisam para isso. Porque há muita informação falsa por aí sobre isso agora. As pessoas precisam mesmo parar e ler, em vez de deixarem a FDA fazer as regras.

KS: Há um cara de quem você fala no seu Twitter, Andrew Kolodny. O que ele está fazendo para desinformar o público sobre dor crônica e medicação para dor? Há muitos equívocos sobre dor crônica – que está tudo na cabeça, que são apenas viciados tentando ter acesso às drogas. Explique porquê discorda deles.

AW: Ele não acredita que a dor crônica exista. Ele não acha que as pessoas com dor crônica realmente têm dor crônica. Andrew Kolodny, Anna Lembke. Esses dois têm a mente tão fechada quando se trata da ideia de alguém estar sofrendo o tempo todo. Para eles, se você tem dor de cabeça, toma um Tylenol, vai para a cama, e fica bem. Mas com tantos tipos diferentes de dor crônica, doenças auto-imunes, você fica destruído, te afunda, algo acontece e, “bum!”, você fica preso com dor crônica para o resto da vida. Eles não acreditam que isso realmente exista. E quando você vai no Twitter e digita coisas, tudo o que eles fazem é bloquear você, ou o pessoal que cuida das redes deles bloqueia você e eles não têm que ouvir. Ambos, Anna Lembke, Andrew Kolodny – eles não estão dispostos a ouvir o fato de que a dor crônica existe e que há milhões de pessoas que podem tomar opiáceos com sucesso por anos sem se tornarem viciados neles, e que isso os ajuda a funcionar diariamente. Eles não estão dispostos a acreditar nisso.

A cafeína é uma droga, o tabaco é uma droga, o açúcar tem o mesmo tipo de reação no corpo humano que estes dois. O que você acha que acontece quando você fica chapado de açúcar? Pense nisso como se fosse uma euforia. Você não costuma ver desse jeito, verdade?

— 🌱 Monnie L.V.🌱 (@MonnieLV2019) 10 de outubro de 2019

KS: Há uma concepção errada de que se alguém toma algum opiáceo, ele automaticamente vai parar na sarjeta com uma agulha espetada no braço. Na verdade, a maioria das pessoas que tomam qualquer droga não se tornam viciadas nela. Você acha que o vício é baseado em uma mentalidade e não na droga? E qual é a diferença entre um paciente com dor crônica que toma opiáceos e um viciado?

AW: A maior diferença é que, a menos que um viciado tenha dor crônica, ele não consegue abaixar a agulha, porque está esperando o barato o tempo todo. E quando não o conseguem, vão para uma dose maior ou para uma droga pior que o produza. Quando se trata de pacientes com dor crônica, quando eles deixam de tomar o que quer que seja para a dor, ela retorna. Agora, as pessoas precisam entender que não é essa dor da retirada da droga. Essa é a dor com que eles lidam todo santo dia, não importa o que aconteça.

A única coisa que eu quero acrescentar sobre mim é que o vício corre pela minha família. A minha mãe e o meu pai eram os dois viciados em álcool, não em drogas. Mas eu consegui sair com sucesso dos opiáceos após 10 anos. Nem sequer pensei nisso, só pensei OK, tenho que descobrir uma maneira de fazer essa dor parar. Eu parei com analgésicos, fui direto para o kratom. Eu não olhei para trás. Não fui para a rua tentar encontrar alguém que me pudesse arranjar algo mais forte. Porque sabia que não ia ser uma coisa boa para mim. Então, tenho nos meus genes, na minha piscina genética, estar viciada em quase tudo. Mas eu fiz uma escolha, e não me faz melhor ou pior do que qualquer outra pessoa por aí, de que eu ia tratar minha dor crônica dessa maneira e ser mais produtiva sobre isso. O vício e a dependência são duas coisas completamente diferentes. Seu corpo torna-se dependente da medicação, mas você não quer necessariamente ter que tomá-la, mas você quer e precisa desse alívio da dor. Os viciados não se importam, eles só querem sentir o barato. Eu também já conheci muitos deles. É difícil dizer isso deles sem fazê-los pensar que os estou criticando, porque eu não estou mesmo.

KS: Por que você acha que eles agora querem subprescrever opiáceos? O CDC ou a FDA estão apenas reprimindo os médicos?

AW: Neste momento eu acho que é por algo relacionado ao suicídio. Não estou tentando dizer que eles vão matar nós todos. Eles querem tirar comprimidos de certas pessoas que precisam deles para sobreviver no dia a dia. Eles querem ver quem consegue lidar melhor com isso. Se tirarem o remédio de cem pessoas, quantas dessas pessoas vão sair e encontrar algo mais forte? Quantas dessas pessoas vão sofrer com a sua dor e lidar com ela? E quantas pessoas vão dizer “que se dane, estou farto, vou dar um tiro na minha cabeça”? Eles não se importam com quem está cometendo suicídio e porquê. Eles só querem tirar os comprimidos das mãos das pessoas para poder mostrar que estão pressionando. Eu adoraria conhecer alguém dentro da FDA ou do CDC que tenha alguém na família ou entes queridos que por acaso sofra de dor crônica.

KS: É um pouco assustador. E quando você disse “pressionando”, isso me lembrou da tentativa contínua de banir os vapes com sabor. Scott Gottlieb foi entrevistado na CNBC e disse ao mesmo tempo que os vapes com sabor precisavam ser banidos mas, nos lugares com proibições, os adolescentes agora estão conseguindo ilegalmente. Então, a proibição criou o mercado negro. Parece que as coisas são mais seguras quando elas são liberadas. Você apoia a regulação do kratom?

AW: Sim, absolutamente. A maioria dos head shops, postos de gasolina, coisas meio alternativas do tipo… Eu já comprei deles antes. Acho que gastei 40 dólares em 30 cápsulas, e dizia que era “maeng da verde”. Então tomei, porque não tinha outra maneira de conseguir o meu kratom (naquele momento), mas não senti muito o efeito.

Quando encontrar um vendedor, faça a sua pesquisa. Certifique-se de saber exatamente quando essa empresa começou, qual é o histórico deles, quais são os resultados de laboratório, saiba que você pode confiar neles. Fale com pessoas online que você sabe que são reais, não bots. Quanto mais permitirmos que as porcarias adulteradas, as coisas sujas, estejam por aí, pior será para esta comunidade. Temos de manter essas coisas puras e temos de manter as pessoas seguras. Eu acredito firmemente nisso.

KS: Seria bom se tivéssemos uma FDA que fizesse esse trabalho para o público, em vez de trabalhar para quem quer que atualmente esteja pagando dinheiro para eles.

AW: Scott Gottlieb fala demais. Eu não gosto das opiniões dele sobre o kratom e não gosto das opiniões dele sobre o vaping porque ele só está lá pelo dinheiro. Expulsaram ele da FDA e agora vai trabalhar para uma empresa privada…

KS: Ele está no conselho da Pfizer agora, a empresa farmacêutica. Tudo o que estávamos dizendo deve ter sido uma grande teoria da conspiração. Ele vai direto para uma grande farmacêutica.

AW: Sim, vamos mostrar às pessoas que eles estão certos. E ele sabe exatamente com quantas pessoas ele está se metendo.

KS: Eu não sei como ele dorme à noite.

AW: Ele não tem uma alma. Não é difícil dormir à noite quando você não tem alma.

KS: Certo.

AW: Se você está nisso pelo dinheiro, você não se importa com quem morre e quem vive.

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